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INFELIZMENTE… A 10ª ONÇA DO ANO

Dez onças-pardas em dez meses. Um triste recorde de entradas no Cras que revela a dramática situação da espécie.

Desta vez o pedido de resgate veio da cidade de Rio Claro, no interior paulista. Um jovem macho de onça-parda foi encontrado por um guarda florestal, preso a uma armadilha de caça de java-porco em meio a mata do Horto Florestal Edmundo Navarro de Andrade.

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Esta já é a segunda onça capturada por este tipo de armadilha em menos de dois meses. A anterior foi resgatada em Bragança Paulista, mas faleceu devido a gravidade dos ferimentos (ler mais). Esta situação prova mais uma vez que a liberação da caça de java-porco da forma que está sendo feita causa grandes prejuízos à biodiversidade, já que centenas de outras espécies de animais silvestres também são caçadas e capturadas.

O animal foi encontrado estressado e exausto e deve ter passado a madrugada inteira tentando se libertar da armadilha, já que havia uma grande incidência de troncos e solo arranhados pela garra do felino à sua volta.

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Para resgatar o animal foi necessária a cooperação da Polícia Ambiental, dos gestores do Horto Florestal e de técnicos da Associação Mata Ciliar, tendo em vista que o animal ainda corria grande risco de se ferir ainda mais no cabo de aço que estava preso ao seu abdômen. Para realizar a contenção o animal precisou ser anestesiado e posteriormente solto da armadilha, revelando a profundidade do corte e a gravidade dos ferimentos.

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Acredita-se que esta armadilha foi montada pelo mesmo grupo de caçadores apreendidos com facões, três cães de caça e um java-porco já abatido perto do mesmo local onde a onça foi encontrada. Os criminosos responderão por crime ambiental na delegacia de Santa Gertrudes.

O felino precisou ser levado até o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres da Associação Mata Ciliar em Jundiaí, onde passará por diversos procedimentos para verificar sua situação de saúde e posteriormente iniciar o processo de reabilitação.

A onça-parda foi batizada de Irineu, mesmo nome do guarda florestal que teve a perspicácia de identificar os rastros de caça e adentrou a mata até encontrar o animal preso à armadilha.

Agradecemos ao gestor do Horto Florestal Gabriel Ribeiro Castelano, ao capitão Marcos José Pereira e soldado Guilherme Gulinelli Júnior da Polícia Ambiental e ao guarda florestal Irineu Vogado Vargas que nos ajudaram no resgate do animal.

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17 comentários

  1. Gostaria de saber se ela resistiu.

    • Boa noite. Sim ela está resistindo mas seu estado ainda é preocupante. Além de ter ficado muito machucada com lesões na cintura em decorrência do cabo de aço da armadilha, ela passou muito tempo se debatendo tentando livrar-se do laço, por isso o estresse foi muito grande. Ela está sob observação e inspira cuidados especiais.

      • Não sou contra caça de Javalis, muito pelo contrário… JAVALI É PRAGA, É ANIMAL EXÓTICO E TEM MAIS QUE SER CAÇADO MESMO! Agora usar armadilhas e cães para caçar é um absurdo! Quer caçar? Registre-se, faça uma ceva e espere! Qualquer outro animal poderia se ferir com uma armadilha dessas… outra armadilha muito comum é com arma de fogo improvisada usando linhas como gatilho… várias pessoas já se feriram com isso…

        • Olá Carlos, também somos a favor que seja feito um controle planejado do java-porco pois essa espécie exótica devasta áreas naturais e cultiváveis muito extensas, causando danos ambientais e econômicos muito grandes. Porém, sem diretrizes, cadastramento e fiscalização o controle via caça está causando um dano muito grande a outros animais silvestres, aumentando muito o risco de extinção de diversas espécies da nossa fauna.

      • Torço muito pela recuperação da onça… são animais magníficos e devem ser preservados a todo o custo… já tive um encontro com uma Jaguatirica no meio do mato… outro felino maravilhoso… me borrei todo na hora com o rosnar do bicho… era uma fêmea mas não fez nada, apenas nos observou mantendo certa distância… onça eu nunca vi de perto (uma pena e ao mesmo tempo, graças a Deus rs)

        • Olá Carlos, realmente é uma grande experiência encontrar um animal selvagem em vida livre. Pena que o habitat deles está sendo devastado numa velocidade muito grande e esses encontros estão ficando cada vez mais escassos.

  2. Joselenes Souza Santos

    Bom dia; cada notícia que leio em vosso post, só aumenta meu desejo de um dia possuir uma grande propriedade e proporcionar vida livre e segura à toda a avifauna; para tanto, procuro local onde me agrade geograficamente e possa haver o nicho completo. Este guarda Irineu merece condecoração e homenagens; são pessoas assim, sensíveis e aplicadas à sua atividade que me faz refletir NÃO DESISTIR NUNCA!

    • Boa noite. A ideia de adquirir uma área e mantê-la preservada é uma ótima iniciativa que pode proporcionar abrigo a diversas espécies de fauna. Pessoas engajadas na luta pela preservação dos nossos recursos ambientais são fundamentais para o futuro.

  3. Sou ambientalista e me dedico a preservação da Floresta Estadual de Rio Claro-SP há 17 anos. Td sobre ela me interessa para postar em minhas páginas, td é relevante. Estou no facebook, twitter e instagran. Parabéns pelo trabalho e mto obrigada.

  4. estamos encontrando varios grupos de caçadores nas trilhas aqui em Limeira, armados com espingardas e cães de caça. Ja pensamos em denunciar, qual seria o tele fone para isso?

  5. Já encaminhamos um pedido ao MPF para que represente as instituições de preservação à vida selvagem em um processo que pede a proibição de todo e qualquer tipo de caça no território nacional, seja ela esportiva ou não, pelo fato de ser impossível aos órgãos públicos fiscalizarem o que está sendo caçado.
    Ao nosso modo de ver, um caçador não se restringe a somente uma espécie de animal e a caça para controle de espécie invasora é apenas um pretexto para saciar a sede por sangue que certas pessoas tem, não importando o que estão matando nem destruindo, muito menos extinguindo.
    Espero que consigamos ter ao menos o apoio do MPF nessa luta pela preservação e mais união entre as entidades preservacionistas pois de nada adianta criarmos centros de reabilitação e continuarmos soltando animais para serem mortos por caçadores.
    Isso tem que ter um fim.
    “Há momentos em que Progresso e as Agressões a Natureza, precisam ter limites, assim como os homens”

    • Olá Jaguar,
      concordamos com toda sua argumentação, e o apelo junto ao MPF é muito importante para que o poder público desperte para a necessidade da implantação de políticas públicas concretas para a preservação da nossa biodiversidade.

      • Mata Ciliar – acabo de receber um e-mail do MPF em resposta a solicitação enviada a eles a esse respeito. Assim que tiver mais alguma coisa sobre isso compartilho com vcs.
        Abraço –

        PRSP-Setor Jurídico PRM Piracicaba
        Anexos15:40 (Há 5 horas)
        para Jaguar Negro – O Espírito da NaturezA. Org
        Instituto de Proteção e Preservação da Vida Selvagem
        Prezado Senhor,
        Cumprimentando-o, de ordem, encaminho-lhe cópia do despacho da lavra do Exmo. Procurador da República Dr. Leandro Zedes Lares Fernandes nos auotos da Notícia de Fato nº 1.34.008.000509/2016-14, originada a partir do contato realizado por Vossa Senhoria em 20/10/2016, via site do Ministério Público Federal, em que notícia a caça possivelmente ilegal, realizada em Rio Claro (Horto Florestal Edmundo Navarro de Andrade), que atingiu uma onça-parda (Puma concolor), animal ameaçado de extinção.
        Informo ainda que os autos do procedimento foram encaminhados à Delegacia de Polícia Federal de Piracicaba para instauração de Inquérito Policial.
        Atenciosamente,
        Michele Teixeira da Costa Zeppelini
        Matrícula 15933-6
        Ministério Público Federal
        Procuradoria da República no Município de Piracicaba
        Gabinete do 3º Ofício de Piracicaba – (19) 3447-4000
        Ps. solicito a gentileza de confirmar o recebimento deste e-mail, grata.

  6. Analisando está postagem fiquei intrigado, armadilha num horto florestal, este tipo de armadilha é facilmente identificável, quem o faz tem que estar sempre vendo o resultado, deixa rastros e marcar visíveis, trilhas, pesquisando é ilegal e não permitida p/ manejo Javaporco, fico pensando, como não foram detectadas antes e os responsáveis caçadores furtivos identificados e punidos evitando este absurdo com a onça, negligencia, ma intenção esperaram acontecer p/ culpar alguem, vi que existe muito preconceito contra manejo Javaporco ( caça legal) e regras definidas p/ evitar este tipo de situação, descriminam propositadamente o manejo, esquecem que a destruição ambiental provocada pelo javaporco é muito grave fora as zoonose que espalham inclusive p/ o homem, temos que começar a ser mais racionais e menos emotivos, precisamos sim unir forças p/ gerar recursos p/ fiscalização e recuperação de nossa fauna e biomas … A regulamentação da caça no mundo muitas vezes tem proporcionado mais benefícios a biodiversidade e preservação do que prejuízos … Não podemos continuar fechando os olhos p/ a realidade…

    • Olá Domingos, também somos a favor que seja feito um controle planejado e estratégico do java-porco, mas da forma com que está sendo feito diversas outras espécies silvestres estão sendo mortas. Sobre a legislação atual da caça:
      A caça é considerada crime pelo artigo 29 da Lei de Crimes ambientais (Lei 9.605/98), com a seguinte redação:
      Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida.
      Essa é a legislação atual, mas falta fiscalização para que ela seja cumprida.
      Em diversos países em que a caça foi regulamentada/liberada, houve e está havendo um grande problema de desequilíbrio ecológico, criando inclusive novas pragas.
      Os animais silvestres precisam estar nas nossas matas e campos para continuar cumprindo suas funções ecológicas contribuindo para a manutenção da natureza, disseminação de frutos, controle da cadeia alimentar e consequentemente a produção de água, ar e solo da qual necessitamos para sobreviver.

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