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Enquanto a caça de animais silvestres é proibida pro lei no Brasil (veja Projeto de Lei n° 5.197/1967 — http://www.camara.gov.br/sileg/integras/487615.pdf), a caça do javali (uma espécie exótica) é permitida através de uma Instrução Normativa (IN 03/2013, http://www.ibama.gov.br/legislacao/javali), objetivando o seu controle populacional. Apesar da caça do javali ser autorizada e regulamentada desde 2013, até o momento, somente um estudo testou a eficiência de métodos e técnicas de captura do javali. Mesmo assim, diversas técnicas são utilizadas tanto para encontrar (e.g., cães), assim como capturar os javalis (diferentes tipos de armadilhas). Todavia, estes diferentes métodos podem trazer graves problemas para nossa fauna silvestre.

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Em um recente artigo (Carvalho et al., 2019) publicado por pesquisadores e colaboradores da Associação Mata Ciliar (AMC), foi evidenciado o grave problema do uso de armadilhas não-seletivas para a captura de javalis. Por exemplo, entre os anos de 2017 e 2018 chegaram ao menos quatro animais adultos e um filhote ao silvestres no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) da AMC, sendo duas onças-pardas, uma tamanduá-bandeira e seu filhote, além de uma capivara. Estes animais sofreram diversas injúrias (veja imagens) ao longo do corpo (veja a figura). Dentre estes animais, somente a fêmea de tamanduá-bandeira foi solta. Como ela não aceitou seu filhote no momento da soltura, ele permanecerá em cativeiro pelo resto de sua vida. Os outros animais adultos vieram a óbito devido as injúrias sofridas.

Em nosso artigo, reconhecemos a necessidade do controle do javali para garantir a conservação de espécies nativas da América do Sul, reduzindo a competição, a predação e a redução de conflitos entre seres humanos e animais selvagens. Entretanto, nós reforçamos e pontuamos que a caça esportiva não deve ser efetivada como ferramenta para o controle do javali sem que haja medidas de sua eficácia, assim como a verificação dos potenciais impactos indiretos sobre a fauna nativa. Especificamente em relação ao uso de armadilhas, mais recomendações devem ser feitas quanto ao uso de técnicas seletivas, bem como à treinamento de técnicos e produtores rurais para o uso delas. Acreditamos que o controle dos javalis deve-se basear no uso de técnicas seletivas testadas em áreas semelhantes onde javalis são encontrados na América do Sul. Em adição, deve-se proceder o monitoramento eficaz de qualquer armadilha utilizada. Por fim, deve-se aumentar os recursos das agências reguladoras e haver conscientização das populações locais sobre os altos valores da biodiversidade do Brasil, os problemas de conservação associados à caça de animais selvagens e a importância do controle populacional de espécies exóticas invasoras.

O artigo completo pode ser encontrado aqui: https://link.springer.com/article/10.1007/s10531-019-01800-0.

Referência

Carvalho, W.D.; Mustin, K.; Paulino, J.S.; Adania, C.H. & Rosalino, L.M. 2019. Recreational hunting and the use of non‑selective traps for population control of feral pigs in Brazil. Biodiversity and Conservation 28(11):3045-3050.

Título da figura – Pumas (Puma concolor) resgatados nos municípios de Rio Claro (A) e Bragança Paulista (B), estado de São Paulo. Ambos os indivíduos foram manipulados após serem anestesiados. Na imagem (A) é possível observar o fio de aço ao redor do abdômen do puma e nas imagens (B) e (C) é visível a lesão na região abdominal com necrose tecidual. (E) imagem do fio de aço que compõe a armadilha de laço. (D) e (F) mostram um indivíduo de capivara (Hydrochoerus hydrochaeris) anestesiado e com lacerações na nuca, pescoço e cernelha.

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